Leitura privada
Algum mestrando em Letras ou Educação podia se aventurar a estu-dar a relação do vaso sanitário com a leitura. Eu me ofereço pra ser objeto da pesquisa. Hoje, estava lendo um texto difícil enquanto me desfazia de coisas que passaram por mim, quando lembrei de como tudo começou. Eu era criança e sofria de intestino preso, cheguei até a ser encaminhado pro hospital uma vez porque nada descia. Foi aí que algum médico disse a minha mãe que eu ficava muito nervoso nessas horas e que uma maneira de relaxar seria ler no banheiro.
Comecei com historinhas em quadrinhos: Turma da Mônica, Zé Carioca, O Menino Maluquinho, mas tinha alguma dificuldade em ler Urtigão nessas horas. Obviamente que me viciei em leitura e a hora da necessidade passou a ser bem mais prazerosa. Tempos depois, fui me enveredando pelos livros “sem figura”, que me deixavam com pose de gente grande no trono, coisas como Pedro Bandeira, Marcos Rey, entre outros clássicos da coleção Vaga-Lume. Nesse ponto já estava perdido de amores pelos livros e estendia a leitura para o quarto. Daí em diante tive várias “fases”, Agatha Christie, Luis Fernando Veríssimo, Lygia Fagundes Telles, Gabriel Garcia Marquez, Carlos Drummond de Andrade, Ìtalo Calvino… Isso sem contar os teóricos que passei a estudar na faculdade, também obrigados a me acompanhar nessa hora tão delicada.
Foi assim que a leitura passou a fazer parte da minha vida, e colaborou não só com a imaginação, mas também em funções menos nobres do corpo humano.
Subscribe by RSS